Depois de decidir traduzir o site, vem a pergunta seguinte: para quais idiomas? É tentador escolher vários de uma vez, para “parecer internacional”. Mas cada idioma novo é um compromisso: precisa ser traduzido, revisado, configurado e mantido atualizado.
A melhor escolha não vem do palpite, e sim de dados e objetivos de negócio. Este artigo mostra como chegar a ela.
Comece pelos dados que você já tem
Antes de escolher, veja quem já visita o seu site. Duas ferramentas gratuitas ajudam muito.
Google Analytics
No Analytics (ou ferramenta equivalente), procure os relatórios de:
- país dos visitantes: de onde vêm as pessoas que acessam o site;
- idioma do navegador: em que idioma o computador ou celular do visitante está configurado;
- comportamento por país: se os visitantes de fora ficam pouco tempo ou saem logo, pode ser sinal de que não entenderam o conteúdo.
Se uma parcela relevante das visitas vem de pessoas com navegador em inglês ou espanhol, isso já é uma pista forte.
Google Search Console
No Search Console, o relatório de desempenho mostra:
- de quais países vêm as impressões e os cliques nas buscas;
- quais termos as pessoas pesquisaram, inclusive em outros idiomas.
Se o seu site já aparece para buscas em outro idioma, mesmo sem ter conteúdo nele, existe demanda. Para aprender a usar a ferramenta, veja Google Search Console para empresas, e para organizar os números, como medir os resultados do site.
Depois, olhe para o público que você quer atingir
Os dados mostram quem já chega. O planejamento mostra quem você quer que chegue. Algumas perguntas ajudam:
- Para quais países você já vende, atende ou quer começar a atender?
- Os seus clientes estrangeiros falam qual idioma no dia a dia?
- Quem toma a decisão de contratar: o estrangeiro ou um parceiro no Brasil?
- A sua equipe consegue atender no idioma escolhido, por e-mail, telefone ou WhatsApp?
O último ponto é decisivo. Não adianta ter o site em francês se ninguém consegue responder a um contato em francês.
Mercados em que a tradução costuma fazer sentido
Alguns tipos de negócio têm motivos naturais para receber visitantes de outros países ou de estrangeiros que moram aqui:
- Turismo e hospedagem: pousadas, agências, guias e passeios recebem visitantes que pesquisam antes de viajar.
- Exportação: empresas que vendem para outros países precisam apresentar produtos e condições no idioma do comprador.
- Imóveis para estrangeiros: compradores e locatários de fora querem entender localização, documentação e processo.
- Saúde: clínicas e profissionais que atendem estrangeiros ou turistas que buscam tratamento.
- Educação: escolas de idiomas, cursos e instituições que recebem alunos de outros países.
- Serviços para expatriados e empresas estrangeiras: consultorias, escritórios e prestadores que atendem quem chega ao Brasil.
Por onde começar: inglês e espanhol
Para a maioria das pessoas e empresas, a ordem natural é:
- Inglês: funciona como idioma comum para negócios e viagens, alcançando também pessoas que não são nativas, mas leem inglês.
- Espanhol: aproxima o site dos países vizinhos da América Latina e de outros mercados de língua espanhola.
Começar por um ou dois idiomas permite medir o resultado, ajustar o atendimento e só então ampliar.
Quando faz sentido ir além
Outros idiomas fazem sentido quando existe um motivo concreto:
| Idioma | Quando costuma valer a pena |
|---|---|
| Francês | Clientes ou parceiros em países de língua francesa, turismo com esse público |
| Alemão | Exportação ou turismo com público de língua alemã |
| Italiano | Laços comerciais ou culturais com a Itália, como turismo e cidadania |
| Chinês | Negócios de exportação, importação ou turismo com esse mercado |
| Japonês | Comunidades e parcerias específicas com o Japão |
| Outros | Quando os dados ou os contratos mostram demanda real |
Repare que a tabela não diz “traduza para todos”. Ela diz quando cada idioma passa a valer a pena. Em idiomas com escrita diferente, como chinês e japonês, também é preciso verificar se o site exibe os caracteres corretamente e se o layout se adapta.
Considere o custo de manter cada idioma
Este é o ponto mais esquecido. Cada idioma acrescenta:
- tradução e revisão de todas as páginas novas e alterações;
- configuração técnica de URLs, hreflang e sitemap;
- títulos e descrições pensados para o Google daquele idioma;
- atendimento de contatos naquele idioma;
- acompanhamento dos resultados.
Um site em cinco idiomas, com quatro deles desatualizados, passa uma impressão pior do que um site em dois idiomas bem cuidados. Os fatores que influenciam o investimento estão em quanto custa traduzir um site.
Um caminho prático para decidir
- Levante os dados de país e idioma no Analytics e no Search Console.
- Liste os mercados que o seu negócio quer atingir.
- Confirme se a equipe consegue atender no idioma escolhido.
- Comece pelo idioma com mais demanda, geralmente inglês ou espanhol.
- Traduza primeiro as páginas principais: início, serviços e contato.
- Publique com URLs próprias e configuração de SEO internacional, como explicamos em como traduzir um site sem perder posições no Google.
- Acompanhe por alguns meses e só então avalie novos idiomas.
Próximo passo
Se você quer ajuda para decidir os idiomas certos e publicar as versões com tradução revisada, conheça o nosso serviço de tradução de sites. Publicamos sites em até 10 idiomas. Fale com a gente e analisamos os dados do seu site antes de recomendar.