Traduzir o site para inglês ou espanhol deveria trazer mais visitas, não menos. Mas quando a tradução é feita sem cuidado técnico, dois problemas aparecem: as versões traduzidas não aparecem no Google dos outros países, ou, pior, a mudança atrapalha as posições que o site já tinha em português.
A boa notícia é que esses problemas são evitáveis. Este artigo explica, em linguagem simples, o que precisa ser feito.
Por que a tradução pode afetar o SEO
O Google precisa entender três coisas:
- que existem versões do mesmo conteúdo em idiomas diferentes;
- qual versão mostrar para cada pessoa, conforme o idioma e o país;
- que essas versões não são cópias umas das outras tentando ocupar o mesmo espaço.
Se o site não deixa isso claro, o Google pode ignorar as versões traduzidas, mostrar a página errada para o visitante ou se confundir sobre qual é a principal. Também há risco quando a tradução é feita junto com uma mudança de estrutura ou de endereços do site original.
Passo 1: cada idioma precisa ter URL própria
Esse é o ponto mais importante. Cada versão traduzida deve ter um endereço fixo, que o Google consiga visitar e guardar. As opções mais comuns são:
| Estrutura | Exemplo | Vantagens | Cuidados |
|---|---|---|---|
| Subpasta | seusite.com.br/en/ | Aproveita a autoridade do domínio principal; mais simples de manter | Exige organização das pastas |
| Subdomínio | en.seusite.com.br | Separa bem as versões | Tende a ser tratado de forma mais independente pelo Google |
| Domínio próprio | seusite.com | Sinal forte de foco em outro país | Mais domínios para manter, renovar e trabalhar no SEO |
Para a maioria das pessoas e empresas, a subpasta é o caminho mais prático: concentra tudo em um só domínio e simplifica a manutenção. O domínio próprio por país faz mais sentido quando a operação no exterior é grande e independente.
Passo 2: não dependa só de tradução via JavaScript ou widget
Muitos sites usam um botão ou widget que traduz a página “na hora”, no navegador do visitante. Parece prático, mas tem um problema sério: em geral, não cria páginas próprias para cada idioma. O endereço continua o mesmo, e o Google tende a enxergar apenas a versão original.
Resultado: o visitante até consegue ler em inglês, mas ninguém encontra o site pesquisando em inglês. Além disso, essas traduções costumam ser automáticas e sem revisão, o que discutimos em tradução automática ou revisada.
Um seletor de idioma é bem-vindo, desde que leve para páginas reais, com URL própria.
Passo 3: configure o hreflang
O hreflang é uma marcação que avisa ao Google: “esta página tem versões equivalentes nestes outros idiomas, e aqui estão os endereços”. Com ele, o Google consegue mostrar a versão em espanhol para quem pesquisa em espanhol, e a versão em português para quem pesquisa em português.
Cuidados práticos:
- cada página deve apontar para todas as suas versões, inclusive para ela mesma;
- as indicações precisam ser recíprocas: se a página em português aponta para a inglesa, a inglesa deve apontar de volta;
- use os códigos corretos de idioma (e, se for o caso, de país);
- vale indicar uma versão padrão (x-default) para visitantes de idiomas não atendidos.
Erros de hreflang são comuns e fazem o Google ignorar a marcação.
Passo 4: canonical correto em cada idioma
A marcação canonical indica qual é a versão principal de uma página. Um erro frequente é fazer a página em inglês apontar o canonical para a página em português. Isso diz ao Google que a versão em inglês é uma cópia e não precisa ser mostrada.
A regra é simples: cada versão aponta o canonical para si mesma. O relacionamento entre idiomas fica por conta do hreflang.
Passo 5: traduza também títulos, descrições e endereços
Não basta traduzir o texto visível. Também precisam ser traduzidos:
- o título de cada página (o que aparece em azul no Google);
- a descrição que aparece abaixo do título;
- os textos alternativos das imagens;
- quando fizer sentido, as próprias URLs (por exemplo, /en/website-translation/ em vez de manter o termo em português).
E mais: a tradução deve usar os termos que as pessoas realmente pesquisam naquele idioma. Uma tradução correta, mas com palavras que ninguém busca, dificilmente aparece. Esse trabalho é parte do SEO.
Passo 6: sitemap e Search Console
- Inclua as páginas de todos os idiomas no sitemap, que é a lista de páginas que você entrega ao Google.
- Envie o sitemap no Google Search Console e acompanhe se as novas páginas estão sendo indexadas.
- Use os relatórios de desempenho para ver de quais países e com quais buscas as versões traduzidas estão recebendo cliques.
Se você ainda não usa a ferramenta, veja o guia sobre Google Search Console para empresas.
E o conteúdo duplicado?
Uma dúvida comum: “se eu tenho a mesma página em três idiomas, o Google não vai considerar conteúdo duplicado?”. Quando as versões estão de fato traduzidas e marcadas com hreflang, não. São conteúdos diferentes para públicos diferentes.
O problema aparece em outras situações:
- páginas “traduzidas” que continuam com boa parte do texto em português;
- várias versões em inglês quase iguais para países diferentes, sem marcação adequada;
- o mesmo conteúdo acessível por vários endereços diferentes.
Cuidado ao mexer no site original
Se, para traduzir, for preciso mudar a estrutura ou os endereços das páginas em português, trate isso como uma migração: mapeie as URLs antigas e configure redirecionamentos 301. O passo a passo está em como migrar o site sem perder posições no Google.
Próximo passo
Uma tradução bem feita para o Google combina texto revisado e configuração técnica correta. No nosso serviço de tradução de sites, cuidamos das URLs por idioma, do hreflang, do sitemap e dos metadados traduzidos. Fale com a gente para avaliar o seu site.